Feeds:
Posts
Comentários

Archive for novembro \27\UTC 2010

Ligustro (Ligustrum spp.) é uma espécie de origem asiática, infelizmente muito utilizada na arborização urbana nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Eu digo infelizmente, pois esta é considerada um espécie invasora de áreas naturais, o que pode representar um sério problema ecológico.

Ligustrum lucidum (Foto: mauroguanand)


As espécies exóticas não evoluíram no local onde foram introduzidas, por isso não apresentam todos os inimigos naturais da mesma forma que as nativas. Como conseqüência, quando invadem áreas naturais, pode haver uma explosão do tamanho populacional das exóticas, fazendo que se tornem dominantes e ocupem o nicho ecológico das nativas, eventualmente, levando-as à extinção local. Não é por acaso que a invasão por espécies exóticas representa uma das principais ameaças à biodiversidade no mundo.
Fazendo o reconhecimento de plantas que alguns alunos me trouxeram, reparei que o Ligustro está ocorrendo, de forma subespontânea, em fragmentos florestais próximos do perímetro urbano do município de Lages, o que demonstra sua potencialidade como invasora na região. O Estado do Paraná já proibiu o seu plantio na arborização urbana (Portaria IAP nº 95/2007) e sugiro fortemente que o Estado de Santa Catarina faça o mesmo.
O uso de espécies regionais na arborização urbana é sempre recomendável, uma vez que esta é uma forma de valorizar a biodiversidade brasileira. Opções de espécies nativas de grande beleza não faltam.

Handroanthus ochraceus (Foto: mauroguanandi)

Anúncios

Read Full Post »

Resumo: Sebastiania commersoniana (conhecida popularmente como branquilho) não é uma árvore como outra qualquer. Ela sobrevive onde poucas outras conseguem se estabelecer. Para isso, usa estratégias morfo-anatômicas (referente a modificações nos seus órgãos e tecidos), fisiológicas (referente a modificações nos seus processos metabólicos) e etológicas (referente a modificações no seu comportamento) para sobreviver em locais alagados, onde a maioria das árvores e outras plantas não podem respirar.
Palavras-chave: espécies arbóreas, adaptações, ambientes limitantes

Leia o artigo completo aqui

Read Full Post »

Final de semestre aqui no CAV-UDESC é sinônimo de maratona de defesas de relatório de estágio final. A primeira defesa da série que está por vir é esta:

Título: Levantamento florístico e estrutural de um remanescente florestal, no município de Alfredo Wagner, SC, como subsídio para recuperação de áreas degradadas.
Aluna: Andriele Grudtner
Orientadora: Ana Carolina da Silva
Local: Laboratório de Ecologia Floresal
Horário: 9:00h

Fragmento florestal estudado, em Alfredo Wagner, SC.

O trabalho foi realizado no município de Alfredo Wagner, SC, inserido na região do Alto Vale do Itajaí. É um local interessante do ponto de vista florístico, por ser uma área de transição entre a Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Ombrófila Mista.

Read Full Post »

  • “Sonhando o Impossível”: Palestra inspiradora de Miguel Nicolelis, disponível na forma de vídeo no Blog do Luis Nassif (via @AninhaArantes).
  • Humor in Scientific Publications: Estudo mostra que artigos com títulos “engraçados” são menos citados (via @CarlosGrohmann). Acho que quando o artigo é bom, não importa se o título é engraçado ou não.
  • Campos cinzas e verdes cidades: Reflexão sobre a responsabilidade dos proprietários rurais e urbanos na conservação do meio ambiente.

    Quantos metros de mata ciliar são deixados às margens dos rios que cortam nossas cidades? Para cada prédio construído, qual a porcentagem da área mantida com vegetação nativa? Serão os agricultores cidadãos de segunda categoria, cabendo-lhes exclusivamente o ônus de salvar a natureza e produzir mais e de forma ambientalmente correta em áreas cada vez menores, enquanto construtoras erguem prédios praticamente dentro do mar, desmatam, tomam terras produtivas, agravam problemas urbanos sem que se lhes exija nenhuma compensação ambiental? Ninguém vê o contrasenso?

  • Estudo demonstra que o aquecimento global pretérito, ocorrido durante o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, causou um aumento da diversidade de espécies de plantas em florestas tropicais da América do Sul. No entanto, o que garantiu o aumento da diversidade foi o fato do padrão de precipitação atmosférica ter continuado elevado, ou seja, o clima era caracterizado como sendo quente e úmido. Num cenário de aquecimento global associado à redução da precipitação atmosférica, as consequências para os padrões de diversidade podem ser outras.
  • Publish like a pro: Artigo da Nature com dicas de como publicar em periódicos de alto impacto. Sempre é bom esse tipo de dica.
  • O excesso de CO2 atmosférico pode reduzir o crescimento de árvores. O aumento da temperatura do planeta, que acompanharia a maior concentração de CO2 atmosferico, seria responsável por essa redução do crescimento.

    Read Full Post »

Na última ida para o campo, junto com a turma de “práticas florestais integradas”, encontramos várias dessas lagartas. Interessante que elas sempre apresentavam essa disposição nos ramos de algumas árvores. Fiquei curioso para saber qual espécie seria. Algum entomologista de plantão?

Read Full Post »

A motivação inicial desse texto foi escrever um material de apoio para meus alunos de fitossociologia. No entanto, creio que também poderá ser útil para outras pessoas que tenham interesse em ecologia e em aprender um pouco do R. O Índice de Dispersão de Morisita é um dos métodos mais utilizados para a avaliação do padrão de distribuição espacial de indivíduos de espécies arbóreas, quando são empregadas parcelas como forma de amostragem. Segue uma breve descrição do procedimento para o cálculo deste índice utilizando o R:

1. Instalar o programa R:

Visite o site R-project e faça o download do programa.

2.Importar a matriz de abundância:

Disponibilizei no dropbox uma matriz hipotética onde temos as espécies, nas colunas, e parcelas, nas linhas. Os valores da matriz representam a abundância de cada espécies nas respectivas parcelas. Para importar os dados, digite o seguinte comando no R:

teste<-read.csv("http://dl.dropbox.com/u/6511995/morisitaR.csv", header=T, row.names=1, sep=";")
teste # o resultado deve ser uma matriz 5x5, sendo que as linhas correspondem às espécies e as colunas indicam as parcelas.

3 Instalar a biblioteca vegan, no de caso de ainda não estiver instalada:

install.packages("vegan")

Escolha um “espelho” geograficamente mais próximo para fazer o download.

4. Carregar a biblioteca vegan:

library(vegan)

5. Cálculo do Índice de Morisita:

dispindmorisita(teste, unique.rm = T, crit = 0.05)

O parâmetro lógico unique.rm= T indica a remoção, na análise, das espécies que ocorrem em uma única parcela. O parâmetro crit indica a significância do teste de chi-quadrado.

Como resultado obtemos:

imor mclu muni imst
sp1 1.7479675 1.174227 0.9142541 0.5749837
sp2 1.1857708 1.324695 0.8402008 0.2860697
sp3 1.8270756 1.117103 0.9423675 0.5914230
sp4 0.9413009 1.117103 0.9423675 -0.5005659
sp5 2.4963716 1.137371 0.9323927 0.6759165

Cada espécie tem um valor de imor, mclu, muni e imst. Imor é o valor do Índice de Morisita, que pode variar de 0 a n. Os valores de mclu e muni representam os limites superiores e inferiores do Índice de Morisita para uma distribuição aleatória. Se imor > mclu, temos um distribuição espacial agregada. Se imor < muni, o padrão de distribuição espacial é regular. Os valores de imst representam o Índice de Morisita Padronizado, variando de -1 a 1. Um valor de imst entre -0,5 a 0,5 indica uma distribuição aleatória. Valores inferiores a -0,5 indicam uma distribuição regular e valores acima de 0,5 indicam uma distribuição agregada.

Neste exemplo hipotético, temos:

sp1 – distribuição agregada
sp2 – distribuição aleatória
sp3 – distribuição agregada
sp4 – distribuição regular
sp5 – distribuição agregada

Em uma outra oportunidade, irei postar sobre a função K de Ripley, que pode ser utilizada para avaliar a distribuição espacial quando temos processos pontuais.

Read Full Post »

A construção de dendrogramas por meio da análise de agrupamento é uma forma interessante de se avaliar a similaridade florística e estrutural de comunidades de espécies arbóreas. O agrupamento de locais parecidos entre si tem como objetivo simplificar a complexa organização existente em ecossistemas de florestas tropicais e subtropicais. Essa simplificação é necessária para facilitar a interpretação ecológica destes ambientes. Neste tutorial do R utilizarei como exemplo uma matriz binária (presença e ausência), o índice de Jaccard para o cálculo de uma matriz de dissimilaridade e o método de ligação UPMGA (“Unweighted Pair Group Method with arithmetic”) para a construção do dendrograma.

1 passo: Importar a matriz de presença e ausência ou de abundância

Para exemplificar, disponibilizei no dropbox uma matriz hipotética de presença e ausência, que pode ser importada a partir do seguinte comando:

teste<-read.csv("http://dl.dropbox.com/u/6511995/testeR.csv", header=T, row.names=1, sep=";")

O resultado esperado é uma matriz binária de 5 linhas (locais) por 5 colunas (espécies).

2 passo: Instalar a biblioteca vegan:

install.packages("vegan")

Irá abrir uma caixa de diálogo, solicitando a escolha de um “espelho” para fazer o download. Escolha o mais próximo de você.

3 passo: Carregar a biblioteca vegan:

library(vegan)

4 passo: Calcular a matriz de dissimilaridade por meio do índice de Jaccard

clust_teste<-vegdist (teste, method = "jaccard")

Este índice varia de 0 a 1, sendo que 1 indica locais completamente diferentes entre si, ou seja, sem espécies compartilhadas. O argumento method indica qual índice de dissimilaridade a ser utilizado. O índice de Jaccard foi utilizado neste exemplo pelo fato de utilizarmos uma matriz binária. Para este caso também poderia ser empregado o índice de Sorensen. No caso de matrizes de abundância, poderia ser utilizado o índice de Bray-Curtis.

5 passo: Plotar o dendrograma construído por meio do método de ligação UPGMA

plot(hclust(clust_teste, method="average"), hang=-1)

O método de ligação utilizado é definido pelo argumento method. O resultado obtido deverá ser esse:

Observe que os locais 1 e 4 são os mais semelhantes entre si (0,25), enquanto o local 5 foi o que mais diferiu em relação aos demais.

Para mais informações, recomendo a leitura da seguinte referência: http://cc.oulu.fi/~jarioksa/opetus/metodi/sessio3.pdf

Read Full Post »